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2017 / Lisbon Open Studios – 8º edição da Abertura de Ateliês de Artistas

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3ª andar do Edifício Transboavista – 13 e 14 Out / 15 – 21h. Performance DRIPPING dia 13 Out 20h. Colaboração Carmo Posser.

 

2017 / Repetição / Repetition, Sá da Costa Bookstore – Gallery, Lisbon

Photo credit: Stefan Von Laue, Carlota Mantero (left to right) # Repetition Exhibition, Sá da Costa Old Bookstore Gallery, Lisbon
“A arte não pode ser desligada dos gestos que a produzem”
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Repetição convite_F Low
Repetition exhibition | 31 Mar – 20 Apr, 2017 | monday – saturday, 2:30 to 8 pm
Os desenhos e as esculturas nesta exposição são o resultado de gestos performativos repetidos até à exaustão do corpo; é nesse ponto que o gesto encontra um ambiente de abandono produtivo – a repetição, ela própria, que se torna método e estilo.
A resiliência física adquire-se ao longo deste processo.
O acidental e o impreciso dão sentido ao desconforto, compondo nuances, aceitando desvios, desafiando a perícia. Creio por isso, que riscar, embeber, deixar escorrer, sobrepor, gestos realizados horas a fio, disfarçam uma procura permanente do depois, uma ansiedade perante o todo diverso, o imperativo de afastar comportamentos e regulamentos.
No meu caso, creio que a máquina não conduz este processo tão bem como o corpo que se transforma em máquina.
Marta

 

2011, untitled, pen and vinyl on paper, 97×79 cm

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2012, from “Lídia e António”

Quero ir a casa do António mas sei que as minhas pernas cansadas já não sobem a colina deixada para trás num momento de hesitação. Sendo assim, acho que vou a casa do Manuel, que perdeu as botas depois de ter descoberto meio mundo. Desisti. Não há desistências, há reajustes porque há golas que deixam a entretela sair pela cosedura do tecido. É a aridez que nos puxa os cordéis, até lá não somos alguém, até lá não tocamos nenhuma música. Até lá não pisamos nenhuma lava quente nem fomos ao fundo de qualquer corpo enformado. O Manuel, que eu muito admiro, arriscou perder as botas e perdeu-as embora querendo ganhar um lugar no pedestal do mundo. Mas é sem botas que andamos ligeiros. Eu só descobri o que não vejo nem toco, quando descalcei os calços que tinha atados nos tornozelos. E assim vamos, vamos sempre à beirinha do precipício, vamos sempre às cegas, cheios de vertigens, e não fazemos perguntas. Fazemos o que podemos. Vivemos como podemos. O Manuel tem, desde sempre, as suas angústias inexplicáveis mas desde que perdeu as botas elas são de outra natureza, porque a sua vida agora tornou-se cortante. Não há conforto. Estamos sempre de coração hirto. É por isso que eu queria ir a casa do António; lá deleitar-me-ia no prado florido e seria cravada ironicamente por raios solares calorosos.
Marta
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